Jogo de gerenciamento inspira ferramenta que auxilia clubes

Site esportivo oferece plataforma para monitorar atletas e transferências para clubes formadores de atletas.

Quem tem Twitter e é fã do futebol , como a maioria dos brasileiros, já deve ter ouvido falar. A “Rede do Futebol”, ficando cada vez mais popular, auxilia e facilita a vida de jornalistas, torcedores e, principalmente, dos clubes de um modo geral. Até a ganhar dinheiro, em um momento de “vacas magras”.

Criada em 2011, a ferramenta é baseada em jogos virtuais de gerenciamento, como o Football Manager (FM), Elifoot, entre outros, já que os usuários do programa têm o máximo de opções possíveis para filtrar atletas. Um ano depois, a primeira versão comercial foi feita e, aos poucos, mudando de nome.

“A ideia era criar uma base de dados para auxiliar os clubes a contratarem jogadores. A maior parte é de jogadores do Brasil e de mercado de fora do País que sejam do interesse dos times daqui”, explica Marcelo, 31 anos, engenheiro de computação.

O Grêmio e a Traffic foram os primeiros clientes da empresa e, devido ao pedido de cada um, as versões foram sendo moldadas. “Eles queriam uma base de dados específica para cada site, não era uma ferramenta comum. Aí, no ano passado, decidimos criar uma ferramenta única”, completou.

O sócio conta que existia um receio no início por conta dos antigos olheiros acharem que não era preciso usar números para contratações e apenas o olhar de quem conhecia já se mostrava suficiente. De fato, esse tipo de profissional ainda existe e, quem não se atualiza, acaba ficando para trás. “Em termos de tecnologia, o futebol tinha certo preconceito antigamente. Aqui era mais no modo antigo e, agora, está bem melhor. Acho que até a Copa do Mundo ajudou nesse processo”, comemorou.

Dentro da ferramenta, o site possui um filtro detalhado para focar em determinados interesses para pesquisas. É possível escolher jogadores específicos e monitorar o andamento de cada um, sempre sendo atualizado. Tanto como informações de atletas quanto em relação ao contrato.

Esse modelo específico é o Rede do Futebol, nome finalizado após três anos. O projeto é para concentrar a assinatura a todos os times do Brasil, além de ajudar aos agentes de atletas. Atualmente, a equipe do site conta com dois sócios, mais seis pessoas que ajudam na implementação dos dados, redes sociais e departamento comercial.

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Criado no fim de 2014, Twitter trouxe clientes ao site

No Twitter (@RedeDoFutebol), com quase nove mil seguidores, o perfil divulga quando o jogador contratado é registrado ou tem a rescisão publicada no Boletim Informativo Diário (BID), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O sistema da entidade máxima do futebol brasileiro é consultado, a informação é colocada na ferramenta própria e a postagem é divulgada.

“Decidimos espalhar o trabalho para ver a repercussão e foi muito legal, com alta interatividade com pessoas de todos os Estados. Cresceu mais que o esperado, já que o público e, principalmente, os jornalistas nos consultam. Vários clientes vieram do Twitter”, contou Marcelo.

O engenheiro ainda fala de outro diferencial em relação ao BID. Na plataforma da CBF, apenas o nome original do jogador é cadastrado, enquanto o Rede do Futebol complementa com apelido para facilitar a busca específica. Como muitos nomes não são conhecidos, a grande maioria não sabe quem é ao consultar o conhecido sistema da entidade.

“A informação fica muito crua, pois é complicado de entender quem é. Já aqui tem a posição, a origem de cada um, de onde veio e para onde vai, o apelido. Mas, nesse caso, somente para quem tem a nossa assinatura”, informou.

 

Investimento

Até metade de 2014, como o grupo de funcionários era menor, o “desgaste” era mais de tempo em cima de informações, de como montar uma ferramenta atualizada do que propriamente investir dinheiro. O escritório da empresa é em Porto Alegre e, aos poucos, vai se tornando uma sede.

“Somente no fim do ano passado que investimos para aumentar nossa equipe, pois era necessário. Esperamos que cresça ainda mais para continuar investindo”, conta o engenheiro, sem citar valores.

 

Clientes

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Plataforma é fácil de usar e facilita a vida de clubes, agentes e jornalistas

O Rede do Futebol conta com três tipos de público: executivos de futebol, clubes e empresas. Enquanto CEO´s do Paysandu , Campinense e Juventude usam a ferramenta, três times da Série A também utilizam a plataforma: Grêmio, Atlético-PR e Coritiba – os dois últimos em parcerias recentes, no final de junho. O clube rubro-negro, inclusive, foi elogiado. “É o mais organizado que conheço nesse segmento”, sentenciou Marcelo.

“Outros times estão em negociação e demonstração. Nossa meta é ter o máximo possível, independente de divisão. Claro que os times da elite chamam mais atenção, mas não focamos só nisso. Temos os elencos completos de todas as divisões”, explicou.

O outro foco e que justamente é o principal fica em cima de empresas que gerenciam carreira de futebol: Traffic, Grupo Figer, Elenko Sports, entre outros. “Somos a única ferramenta com mais de 300 mil jogadores cadastrados, de categorias de base até o profissional. A meta é sempre ter o maior número de informações para auxiliar aos empresários. Muitos contam com 40, 50 atletas na cartilha e é difícil controlar tudo”, contou.

 

Percentual na formação de atleta

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Fernando, do Shakhtar-UCR, vai render 41,2 mil euros à uma escolinha de futebol desconhecida
Foto: Reprodução / Facebook

Qualquer clube que recebeu jogadores entre 12 e 23 anos em algum momento tem direito a um percentual da formação em caso de transferência internacional. Entretanto, muitas vezes esse dinheiro não passa nos cofres dos times brasileiros.

Então, o site decidiu, a partir deste ano, também se especializar no mecanismo de solidariedade da Fifa. O atleta que for transferido nos últimos 18 ou 24 meses pode utilizar a plataforma para cobrar esse direito criado pela Fifa.

“Nossos times são grandes formadores. Se o atleta jogou um dia que seja neste período de idade, o clube tem o direito de receber algum valor em transferência até o fim da carreira. Em cinco minutos, conseguimos gerar essa lista para qualquer clube do país. Demorou bastante tempo, mas conseguimos e a pretendemos apresentar isso para o maior número de clubes daqui”, falou com esperança.

O Grêmio, por exemplo, já utiliza desse módulo novo e recebe relatórios com os atletas formados, independente se é conhecido ou não, para receber o valor necessário. “Por mais organizado que seja é muito difícil um clube captar tudo o que tem direito. Então decidimos oferecer isso também, pois é uma receita que todos têm o direito. É uma regra e simplesmente ajudamos a fazer a cobrança, que pode auxiliar justamente no investimento nas categorias de base”, complementou.

Um exemplo comum, mas normalmente passa batido, é a venda do volante Fernando do Shakhtar-UCR para a Sampadoria-ITA por oito milhões de euros. O meio-campo ex-time gaúcho tem a “escolinha de futebol Odair” como um dos seus formadores e com direito a 0,517% do valor. Ou seja, um desconhecido formador do cenário nacional receberá 41,2 mil euros – na venda anterior, ao clube ucraniano, já havia recebido uma parte também.

 

Custo

Para ter acesso ao Rede do Futebol, o custo varia bastante e o site prefere tratar individualmente com cada cliente. Executivo de futebol, clube, jornalista e veículos de comunicação possuem pacotes diferentes, dependendo do que cada um quer.

Inclusive, para ter um maior número na clientela, o site vai fazer uma promoção no Twitter para novas assinaturas agora em julho, com o pacote anual tendo um bom desconto. “Queremos entrar nesse segundo semestre ainda mais fortes, com um preço bom”, prometeu.

Reportagem de  Guilherme Moreira, direto de Curitiba (PR), para Terra Esportes

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